dezembro 02, 2003

rECiClaGem :P

(...) O termo «consumo» apela para uma definição mais precisa. Não haveria consumo apenas quando há destruição da estrutura de um produto ou de um material? Há destruição do pão quando se come; há destruição do carvão quando se queima; já não há carvão, mas gás carbónico e água. Isto também se aplica aos produtos petrolíferos nos motores de explosão, ou aos materiais radioactivos nos reactores.
Pelo contrário, não há consumo, mas utilização da água e dos metais. A água continua a ser água, muitas vezes suja ou vaporizada, mas sempre água após utilização. Pode e deve ser reciclada; aliás, é isso que se faz nas naves espaciais. É a mesma coisa quanto aos metais. O ferro, o chumbo, o mercúrio continuam a ser ferro, chumbo ou mercúrio e estão muitas vezes dispersos, mas continuam a ser metais. A reciclagem é indispensável para manter a quantidade disponível e para evitar uma dispersão perigosa, com contaminação do solo e das camadas freáticas pelos despejos e os adubos, com contaminação da atmosfera pelas incineradoras.

Pelo contrário, não há consumo, mas utilização da água e dos metais. A água continua a ser água, muitas vezes suja ou vaporizada, mas sempre água após utilização. Pode e deve ser reciclada; aliás, é isso que se faz nas naves espaciais. É a mesma coisa quanto aos metais. O ferro, o chumbo, o mercúrio continuam a ser ferro, chumbo ou mercúrio e estão muitas vezes dispersos, mas continuam a ser metais. A reciclagem é indispensável para manter a quantidade disponível e para evitar uma dispersão perigosa, com contaminação do solo e das camadas freáticas pelos despejos e os adubos, com contaminação da atmosfera pelas incineradoras.
Qualquer produto, qualquer material reciclável é um produto que contém uma matéria-prima renovável, que não é produzida mas explorada. Não se produz cobre, explora-se cobre. Não se produz água, explora-se e pode tornar-se potável purificando-a, tal como torná-la imprópria para beber poluindo-a. Até mesmo o carvão e o petróleo são recursos renováveis, com a condição de se utilizarem como matéria-prima para a Carboquímica. A Química orgânica de síntese alarga, consideravelmente, a paleta dos materiais fornecidos pela Natureza. Estas moléculas de síntese devem ser imperiosamente recicladas e não enterradas em lixeiras. Não são biodegradáveis pois, ausentes das sínteses naturais, nenhuma bactéria adquiriu enzimas que permitam a sua hidrólise.
Portanto, não-reciclagem igual a poluição, reciclagem significa detritos transformados em riquezas. (…)

Vincent Labeyrie, in “O Desafio do Século XXI – Religar os Conhecimentos – Edgar Morin”

Vincent Labeyrie é professor reformado das universidades, entomologista, especialista das populações, da Fisiologia e da Etologia da reprodução, antigo conselheiro para a ecologia na OCDE, antigo vice-presidente da comissão para o ensino do meio ambiente nas escolas de engenharia da UNESCO. Entre os seus trabalhos contam-se inúmeros artigos (mais de trezentos) científicos sobre a Entomologia e a Etologia em revistas estrangeiras e francesas.

Publicado por he11o_world em dezembro 2, 2003 03:38 PM
Comentários

eu acho que o lixo nao devemos puluir o ambiente e tamben nao por o lixo fora dos ecopontose no caxote do lixo.

Afixado por: ruben em abril 29, 2004 02:19 PM